O
senador José Serra é alvo de uma nova operação na manhã de hoje (21) em uma
investigação sobre doações ilegais de campanha. A Polícia Federal cumpre quatro
mandados de prisão e 15 de busca e apreensão em endereços ligados ao
parlamentar e outras pessoas suspeitas de envolvimento no esquema. As ações
acontecem na capital paulista, em Brasília, Itatiba (SP) e Itu (SP).
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a
investigação é baseada em informações repassadas por pessoas que foram
contratadas em 2014 para operacionalizar os pagamentos das doações eleitorais
não contabilizadas, em colaboração espontânea com a Justiça. O processo foi
remetido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Justiça Eleitoral de São Paulo,
em 2019.
A quebra de sigilos bancários e as
informações repassadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras
(Coaf) indicam, segundo comunicado do Ministério Público, que foram recebidos
de forma ilegal R$ 5 milhões. Os repasses foram, de acordo com a nota, feitos
“a mando de acionista controlador de importante grupo empresarial do ramo da
comercialização de planos de saúde”, através de empresas de fachada para
ocultar a origem dos recursos.
Os investigados podem responder pelos crimes
de associação criminosa, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
Lava Jato
No início do mês, o Ministério Público
Federal ofereceu denúncia contra José Serra por lavagem de dinheiro à época em
que era governador de São Paulo. A filha do parlamentar, Verônica Allende
Serra, também foi denunciada.
Segundo a denúncia da força-tarefa da
Operação Lava Jato, entre 2006 e 2007, Serra recebeu vários pagamentos feitos
pela empreiteira Odebrecht em contas no exterior em um total de R$ 4,5 milhões.
O MPF diz que “supostamente” o dinheiro seria usado para pagamento de despesas
das campanhas eleitorais do então governador.
O que diz Serra
Por nota, José Serra disse que foi
“surpreendido” pela ação de hoje, “com nova e abusiva operação de busca e
apreensão em seus endereços, dois dos quais já haviam sido vasculhados há menos
de 20 dias pela Polícia Federal”.
Segundo o senador, os mandados foram
expedidos com base em “fatos antigos” em um processo em que Serra diz não ter
sido ouvido. Ainda no comunicado, o senador afirma que “ jamais recebeu
vantagens indevidas ao longo dos seus 40 anos de vida pública e sempre pautou
sua carreira política na lisura e austeridade em relação aos gastos públicos”.
A nota enfatiza ainda que todas as suas
contas de campanha sempre foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

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