A
pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça concedeu decisões
liminares de bloqueio de recursos da Educação recebidos pelos municípios de
Santa Maria da Vitória, São Félix do Coribe e Serra Dourada (Oeste da Bahia),
em razão do desvio na finalidade de sua aplicação.
Os valores, que juntos somam mais de R$ 100
milhões, foram recebidos como complementação de repasses do Fundef – sucedido
pelo atual Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).
Os recursos deveriam ter sido,
obrigatoriamente, destinados na sua integralidade em ações de manutenção e
desenvolvimento do ensino e valorização do magistério, conforme orientação dos
órgãos de controle, o que não tem sido feito pelos gestores municipais.
O MPF ingressou com ações civis públicas contra
os municípios e os respectivos prefeitos, visando à correta aplicação dos
precatórios e a elaboração e o cumprimento de plano para utilização dos valores
como determina a lei.
As ações, de autoria do procurador da
República Adnilson Gonçalves da Silva, seguem sob a atuação de Victor Nunes
Carvalho, atual procurador da República na região de Bom Jesus da Lapa, cuja
área de abrangência contempla as três cidades.
O município de Santa Maria da Vitória, cujo prefeito é (Renatinho)
Renato Rodrigues Leite Junior (PP), a partir de ação de cobrança, recebeu R$
62.115.283,57 em precatórios. Desses valores, foram usados R$ 3,8 milhões em
projeto de iniciação à educação tecnológica de duvidosa legitimidade tendo em
vista a existência de notícia acerca de deficiências estruturais no sistema de
educação municipal.
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| Renatinho se elegeu muito por conta do apoio do vice governador do Estado |
De acordo com informações obtidas na
investigação conduzida pelo MPF e levadas ao juiz para justificar o bloqueio,
falta transporte e merenda escolar adequados na cidade, além de haver escolas
que necessitam de reformas. Além disso, foram identificados repasses de milhões
de reais oriundos das contas do precatório do Fundef para empresa
recém-condenada por fraude e superfaturamento em obras públicas.
No caso de São Félix do Coribe, cujo prefeito
é Jutai Eudes
Ribeiro Ferreira também do (PP), o crédito público recebido
foi de R$ 21.368.783,03. O município utilizou R$ 300 mil na compra de um imóvel
para a construção de uma escola. Contudo, o MPF recebeu informações de que o
terreno era da prefeitura e foi vendido, um mês antes, por R$150 mil, sendo
readquirido, então, pelo dobro do valor.
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| Prefeito de São Felix do Coribe também é do PP |
Com os recursos do precatório do Fundef,
foram ainda realizados pagamentos de vencimentos de servidores públicos,
indenizações, dívidas previdenciárias e abonos salariais – todos contrariando
as orientações dos órgãos de controle.
Serra Dourada, cujo prefeito é (Nenenzão) José Milton
Frota de Souza (PT), segundo apurado pelo MPF, recebeu R$ 38.440.819,12,
sendo que parte deste valor foi utilizado na contratação de empresas para a
construção e reformas de escolas.
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| O prefeito Nenenzão foi eleito com apoio do governador do Estado da Bahia |
De acordo com a petição inicial, algumas
dessas empresas, entretanto, são vinculadas a agentes públicos e financiadoras
de campanhas eleitorais. Além disso, Serra Dourada e a APLB – Associação dos
Professores Licenciados do Brasil – assinaram acordo extrajudicial para
distribuir quase 18 milhões oriundos dos recursos do precatório entre
servidores públicos do município, mesmo sabendo da proibição dessa conduta na
perspectiva dos órgãos de controle.
Segundo a ação movida pelo MPF, o acordo,
feito sem a participação do Ministério Público é ilegal, além de ter sido
homologado indevidamente no âmbito da Justiça Estadual, ramo da Justiça incompetente
para o julgamento das ações que tenham como objeto os recursos da União de
complementação ao Fundef/Fundeb.
Os municípios também distribuíram parte dos
recursos para outras contas bancárias das próprias prefeituras, contrariando as
orientações dos órgãos de controle de manter apenas uma conta específica para
as verbas oriundas do Fundef. A distribuição é contraindicada por dificultar a
fiscalização da aplicação dos recursos.
Lembrando que todos os três prefeitos acima acusados são
do grupo restrito do governador do estado e de seu vice, tendo inclusive, sido
eleitos, muito por conta dos apoios de Rui Costa (PT) e João Leão (PP).



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